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Abismo de Rosas – Américo “Canhoto” Jacomino
Compositor: Américo “Canhoto” Jacomino (1889–1928)
Data de referência: c. 1917
Tonalidade: Lá maior
Compasso: 3/4
Gênero: Valsa lenta brasileira
Arranjo: Piano solo
Arranjo / Edição: Maiko Thomé de Araujo
Base do arranjo: estudo comparativo de versões históricas e consagradas para violão, adaptadas ao piano com preservação de características da linguagem violonística
Andamento: Introdução ♩ = 80 / Valsa lenta ♩ = 115
Período: Música brasileira do início do século XX
Origem / Cultura: Brasil / música popular urbana brasileira
Tipo: Valsa instrumental
Características especiais: arranjo completo para piano, linguagem inspirada nas interpretações e arranjos históricos para violão, arpejos, ornamentos, mordentes, fermatas, rubatos implícitos, mudanças de registro, seções contrastantes e Trio
Formato: Download digital (PDF)
Material musical: 3 páginas úteis de partitura
“Abismo de Rosas” é uma das obras mais conhecidas de Américo Jacomino, o Canhoto, figura fundamental da história do violão brasileiro nas primeiras décadas do século XX.
A cronologia exata da obra apresenta divergências entre fontes históricas. Uma referência biográfica importante situa sua composição em 1917, enquanto registros discográficos informam que a peça circulou inicialmente com o título “Acordes do violão”, tendo sido registrada pelo próprio Canhoto ainda na década de 1910. Por isso, nesta edição a referência c. 1917 é utilizada de maneira aproximada, evitando atribuir precisão documental a uma data que não é completamente consensual.
A obra tornou-se um dos grandes clássicos do repertório tradicional do violão brasileiro e atravessou gerações por meio de gravações, interpretações e diferentes versões instrumentais.
Sua melodia extremamente cantabile, a harmonia expressiva e a flexibilidade rítmica típica da valsa lenta contribuíram para que Abismo de Rosas permanecesse especialmente ligada à identidade do violão brasileiro.
Este arranjo de Maiko Thomé de Araujo foi desenvolvido a partir do estudo de diversos arranjos históricos e interpretações consagradas dedicadas ao violão, procurando transferir para o piano não apenas as notas e a estrutura da obra, mas também aspectos importantes de sua linguagem violonística.
Em vez de transformar a peça em uma valsa pianística convencional, o arranjo procura conservar características associadas ao modo como Abismo de Rosas se consolidou no repertório do violão brasileiro.
Isso se manifesta através de recursos como:
O resultado é uma versão pensada idiomaticamente para piano solo, mas que mantém uma ligação deliberada com o caráter e a tradição interpretativa do violão.
A edição começa com uma introdução mais livre e expressiva, indicada a aproximadamente ♩ = 80, antes da entrada da Valsa lenta, indicada a aproximadamente ♩ = 115.
Ao longo do arranjo aparecem mudanças de textura, ornamentações, contrastes entre registros e diferentes seções formais, incluindo o Trio, preservando uma estrutura muito mais completa do que uma simples apresentação da melodia principal.
As indicações de repetição, Fine, To Coda, D.S. al Coda e D.S. al Fine ajudam a conservar a arquitetura formal da versão preparada para esta edição.
Um dos objetivos centrais deste arranjo é permitir que o pianista perceba que Abismo de Rosas nasceu e se desenvolveu dentro de uma tradição essencialmente violonística.
Por isso, vários gestos devem ser interpretados mais como uma transposição da expressividade do violão para o teclado do que como acompanhamento pianístico estritamente regular.
Os arpejos podem sugerir o dedilhado das cordas, os baixos devem manter independência e direção, e determinados acordes e ornamentos ganham mais naturalidade quando tocados com uma leve flexibilidade temporal.
Essa abordagem ajuda a preservar parte da personalidade histórica da obra mesmo utilizando um instrumento com recursos sonoros muito diferentes.
Evite uma pulsação excessivamente rígida. A valsa lenta permite pequenas flexibilizações de tempo, principalmente nas terminações de frase, fermatas, ornamentos e transições. Mantenha a melodia cantabile claramente acima do acompanhamento e procure dar aos arpejos uma sensação de gesto contínuo, quase como um dedilhado de violão. O pedal deve enriquecer a ressonância sem apagar a independência dos baixos ou a clareza das ornamentações.
Especialmente indicado para pianistas interessados em música brasileira, repertório histórico, valsas, música popular urbana do início do século XX e obras tradicionais do violão brasileiro adaptadas ao piano.
Também é uma escolha interessante para recitais, programas de música brasileira, estudo de fraseado e rubato, trabalho de planos sonoros e pianistas interessados em compreender como elementos idiomáticos de outro instrumento podem ser recriados ao piano.